23 de julho de 2011

Uma amizade pode se tornar inimizade por causa das redes sociais?

A propósito da minha pesquisa de Mestrado, ouço com frequência das pessoas e observo comentários no Facebook afirmando que a rede social aproximou mais os amigos. Amigos que não se viam com tanta frequência, amigos sumidos desde os tempos da escola até os amigos do dia a dia. 

Na minha opinião, a definição de amizade (de amigo) para as redes sociais ainda é muito obscura. Já ouvi falar de contatos, conexões, fãs, audiência, colegas, enfim, das denominações mais variadas. Mas no Facebook todos estão agrupados sob a forma de amigos. Afinal, são solicitações de amizade que você recebe e envia na rede social mais famosa e popular do mundo atualmente.

Mas essa mesma rede que aproxima poderia também afastar? Com a facilidade de um clique é possível excluir um "amigo" do Facebook tão fácil quanto ele foi adicionado. E por quais razões você excluiria um amigo da sua rede? Essa semana, comentei com uns amigos que desde que incluí as timelines (Facebook e Twitter) na minha lifetime tenho pouco tempo a perder com asneiras, baboseiras e informações desnecessárias que tomam meu tempo on-line.

Não só porque teria pouco tempo para perder com coisas desinteressantes, mas em muitos casos porque nossos amigos nos premiam diariamente com uma extrema falta de conteúdo. Eles não têm o que dizer e optam pelo mais óbvio, como "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "to na cama", "vou deitar", "está frio", "está quente" etc etc etc. Não que isso não possa ser dito - afinal, não existe um manual de uso das redes sociais. Eu também tenho a opção de bloquear, excluir ou nem aceitar um pedido de amizade de uma pessoa que já sei que age dessa forma ou já considerava chato.

Mas não, não é só isso. O xis da questão está justamente aí: alguns desses amigos que aceitei não eram tão chatos quanto eu imaginava; eu os conhecia (ou conheço) pessoalmente, mas não poderia prever que eles fossem agir dessa maneira na rede. A impressão que eu tinha de algumas dessas pessoas era, em alguns casos, diferente. Já bati um papo, tomei uma cerveja, com alguns até trabalhei na mesma empresa. Mas, como estamos todos perdidos, ainda sem muitas definições da finalidade a que se presta o Facebook, por exemplo, tem gente que escreve o que quer e acaba colhendo o que não quer: uma INImizade.

Veja o exemplo abaixo:
(apaguei os nomes e fotos dos autores para preservar a identidade dos atores nessas interações)


Se você observar bem, nem é dos piores casos. Afinal, em cinco dias a pessoa publicou em seu mural apenas cinco vezes. Mas o que você acha de uma pessoa que todo dia posta pra você um "bom dia"? Gentil, educado, amável, fofinho? Sim, é possível. Mas, como tudo na vida tem dois lados, chato também. 

Ninguém determinou (até hoje) o que pode e o que não pode ser publicado ali no mural, mas diante das centenas de contatos e amigos que adicionamos diariamente no Facebook, uma postura dessa pode até irritar. Sabe aquele ditado, "em boca fechada não entra mosca" ou "se não tem o que dizer, é melhor ficar calado"? Pois bem, para os casos de alguns amigos esses ditados se encaixariam perfeitamente.

Para cada uma das situações reclamadas aqui, nós poderíamos encontrar uma alternativa: não quer ler bobeira, bloqueia, exclui, não aceita; os mais radicais até diriam: sai do Face, po#r$r@!! deleta sua conta!
Mas onde quero chegar? O ponto onde quero chegar é o conteúdo. Ok, nós já aprendemos a nos conectar nas redes sociais, estamos ligados, "próximos" uns dos outros, mesmo que através somente da fibra ótica. Criamos, através das redes, uma relação on-line que nos mantém em contato incessantemente uns com os outros. Mas e o que temos a compartilhar nas 24 horas em que estamos juntos? Sinceramente, ainda não sei.

Não sei qual a resposta mais adequada, nem se ela existe. Mas temos pouca coisa útil pra compartilhar atualmente, pelo menos grande parte dos nossos amigos. Você consegue perceber que aquela nossa relação de amizade, em que os amigos se falavam de vez em quando, contavam novidades, ligavam, marcavam um chopp ou até se viam diariamente está sendo substituída pela conexão ininterruptamente on-line das redes sociais?

Esse post poderia render muita discussão, mas para não deixar muito longo, vou parar por aqui. Prossigamos nos comentários.

1 comentários:

  1. Acho que as ferramentas que existem hoje nas redes sociais, permitem que você tenha total domínio também das suas vontades.
    No mundo "real", isso não depende de você, mas do ambiente que você vive, das condições, do seu repertório, sobretudo, das pessoas que você deseja distância!!!
    As redes sociais têm uma força poderosa nisso. Excluir alguém pode causar uma enorme sensação de alívio, de fuga, de privação.

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